“Tire o Texto da gaveta”, com Edson Ferreira

Edson Ferreira nasceu em Brasília, Brasil, em 1972. Iniciou sua carreira em 2005, com o documentário “Auroras de Ébano”. É pós-graduado em Linguagens Audiovisuais e Multimídia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Dentre os seus principais trabalhos estão o documentário “Marcas da Vila” (2010) e a ficção “Sombras do Tempo” (2012). Encontra-se atualmente na produção de “Entreturnos”, seu primeiro longa-metragem.

Edson Ferreira nasceu em Brasília, Brasil, em 1972. Iniciou sua carreira em 2005, com o documentário “Auroras de Ébano”. É pós-graduado em Linguagens Audiovisuais e Multimídia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Dentre os seus principais trabalhos estão o documentário “Marcas da Vila” (2010) e a ficção “Sombras do Tempo” (2012). Encontra-se atualmente na produção de “Entreturnos”, seu primeiro longa-metragem.

Pulsar

Idéias surgem, rompem, irrompem. Não podem ser contidas, mas devem ser domadas. Semear palavras como um desassossego da alma é permitir que a Criação seja refeita com o leve tempero da arte. Hoje eu escrevo, e amanhã transformo em imagens vivas. Cada ponto final é o desabrochar de uma nova letra, Maiúscula de vontades de se lançar às emoções. Roteirizo o que minha mente clama e o coração pulsa. Quero arquitetar os sentidos, e, ao semear a catarse, permito-me que as provocações se tornem o motor do eterno desejo do confronto interno, aquele em que Eu e Eu se digladiam. A única certeza é da imediata metamorfose do velho ao novo Eu, para amanhã teimar em olhar para si e novamente ansiar por aquela catarse que só as palavras podem gestar e transformar em liberdade.

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Da Gaveta com “Vinicius Fadul”

vinicius

Residente atualmente no município de Marcílio de Noronha, na cidade de Viana, Vinicius Ferreira Fadul não possui crenças teológicas e religiosas, embora seja ficionado pela filosofia de algumas religiões. Entre elas, destacam-se o Budismo, o Hinduísmo e o Cristianismo. Foi conquistado pela filosofia do Sutra de Lotus, das escrituras dos “Upanixades”, das parábolas de Jesus, etc. Seu livro favorito é  “Consciência, a chave pra viver em equilíbrio”, de um sábio mestre Indiano chamado: Osho. Desde Abril de 2012 tem escrito alguns textos: poemas, pensamentos, frases e contos, que podem ser conferidos no site: http://www.escrita.com.br/escrita/leitura.asp?Texto_ID=25001.

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Confira o poema: “A história do homem que venceu a morte“.

Resumo: 
Esta é uma daquelas trovas, que nos fascinam, pelo fato do tema ser agonizante para alguns e educativo para outros, espero que o leitor venha se surpreender em cada linha nesta poesia.
Morte, morte, morte. Por que tão repulsada?
Se você existe para darmos o merecido valor a vida!
Morte. Já que você ainda não veio, saiba agora mesmo que eu darei relevância a existência!
Morte. Quando tu chegaste, venha a mim de forma rápida!Morte, morte, morte. Por que tão repugnada?
Saiba de ante-mão que eu já nem tenho receio da apavorante despedida
A minha real preocupação hoje é se a história foi festiva!
Morte você foi inventada, com o único intuito de nos mostrar a saída!
E esta saída que você aponta é na verdade a entrada
A entrada esta transparente em tua mensagem, que me fará agora executar a atividade de maneira determinadaMorte, morte, morte. Por que tão adversada?
Hoje eu não lhe contrariarei, porque eu sei que tu és uma estratégia divina

Morte, morte, morte. Por que tão recusada ?
Quem deixou uma obra, um dia a conhecera-la?
Minha obra me imortalizara, meu invento me tornara infindável, meu fruto me fara inesquecível, meu trabalho me tornara imperecível e minha criação me eternizará
Morte. Eu lhe venci e hoje nem vejo mais aquela tua placa, que sinalizava a triste, apavorante e agonizante partida

Morte, morte, morte. Porque tu és a mais negada das criações divina?
Morte, saiba que um dia eu serei lembrado, e minha missão finalmente será cumprida
Falecerei e serei lembrado por uma pessoa
E esta será a correta prova, que eu lhe derrotei. Oh morte abominante! E minha vida continuará firmemente erguida
Pelo menos estará fixado na memória de um cidadão respeitado como o Coronel Lisboa
Morte, morte, morte. Por que pra muitos és tão desconhecida?

Morte, eu sei mais que tu, do que tu sabes de mim, por isso saiba agora mesmo que a minha antiga preocupação por ti, foi totalmente apagada
Pois no momento que lhe compreendi, lhe dominei, lhe superei, agora você pode ficar aí aprisionada, serás para sempre minha subordinada
Você traz sentido a vida, leva paixão a vida, da encanto a vida, se tu não existisse banalizaríamos e insignificaríamos a existência
Hoje eu tenho absoluta certeza, que tu ensinas completamente à vida!

Da gaveta com “Eduardo Selga”

Eduarddo

Eduardo Selga nasceu em 1968 no Rio de Janeiro. Contista, professor de Língua Portuguesa, mantém o blog http://papeisamesa.blogspot.com.br. De vez em quando consegue publicar algum artigo ou conto na imprensa capixaba.

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PESADELO DOMÉSTICO

Acordou como se estivesse no interior dum pesadelo do qual fosse impossível escapar. Sofreguidão. Tateou-se, esquadrinhando a certeza de existir. Parecia-lhe tudo em ordem, exceto pelo tormento. Mesmo acordado ainda o sentia. Mas não percebeu que, fragilmente erguido de modo a conseguir algum ar menos fantasmagórico, seu corpo insistia deitado e ainda sonhando imagens tão funestas que se agitava, a procurar uma fresta por onde fugir; também não enxergou: o quarto não era o dele, onde se abandonara numa noite qualquer do passado (exatamente quando? Não conseguia se lembrar). Há muito, muito tempo atrás. Não viu a ruína em que tudo estava. Tábuas na janela, réstias frágeis demais para dissolver a penumbra cremosa, embora mostrassem lindamente a poeira a flutuar suspensa. Excrementos, ratazanas, o fedor que só o abandono sabe.

Nada disso estava nítido para ele, ainda agoniado tão imensamente que sentia jorrar a enxaqueca de outrora. Há quantos anos mesmo ela não mostrava as garras? Claro, mero ilusionismo psicológico, pois o corpo continuava lá, estirado, sonhando. Mesmo assim a náusea tomou conta, causou calafrios. E tudo girava. Mais. Mais ainda. A tal ponto que teve a nítida sensação de vomitar, mas não apenas os líquidos e sólidos característicos dessa trovoada que nasce no estômago: seus miolos pareciam sair pela boca, rolavam pelo assoalho como almôndegas, formando uma pasta, um chantili de imagens infantis. Tentou correr, mas escorregou num vazio que se abriu no chão. Um não mais acabar de fundura, cenas antigas e aos pedaços acompanhando-o à medida que ele desmoronava.

Quando o abismo chegou ao fundo, ele se pôs a caminho do banheiro, embora as ideias ainda meio estateladas. Era preciso fazer a higiene matinal. Dona Soledade fritava seus sonhos para o café, sisuda e aborrecida com as perguntações dum menino agarrado à saia, dedo na boca. Ah, um pontapé neste guri… Só porque a gente é avó não significa ter que tolerar uma impertinência destas. Aí eu morro, desço à sepultura de novo, nem vai se lembrar de mim. Como se não bastasse tudo o que deixei de fazer nesta vida rameira!

Certamente não entreviu sua falecida avó e seus resmungos, pela indiferença com que transpôs o corpo dela, apoderou-se do banheiro trancando a porta. Mas o menino, pelo silêncio súbito acompanhado de sorriso, pareceu enxergá-lo. Teria escovado os dentes, água no rosto, mas recuou por causa do susto: ao procurar-se no espelho, cadê eu?

No quarto um pavor surdo, feito de gestos apenas (como se estivesse caindo numa ribanceira): seu corpo ainda tentava acordar do pesadelo.