Reunião Aberta dos Bardos

Com o objetivo de agregar novos interessados, a reunião servirá como uma troca de informações, planejamento de futuras intervenções, mapeamento de espaços disponíveis, intercâmbio entre as diferentes expressões artísticas e dos coletivos interessados em contribuir com o projeto – e o que mais surgir.

A ideia é interagir: escritores, músicos, fotógrafos, declamadores, pintores, designers, ativistas culturais, críticos de arte, estudantes, entusiastas, cineastas, atores, artistas, enfim, interessados em colaborar com o projeto – no que quer que seja – estão convidados. A pretensão é (re)pensar novas formas de levar a literatura – e a arte – onde as pessoas estão e em novos espaços ainda não explorados.

Aos interessados em “tirar o livro da gaveta” e os que concordam que “lugar de poesia é na calçado”, a hora é agora: venha e construa conosco a nossa trupe.

E pode chegar, ideias e pessoas são bem-vindas e necessárias.

***

A reunião será hoje (24/05), às 18:00, na sala João Guimarães Rosa, no segundo pavimento do prédio Bernadete Lyra, entre o Ic-II e IC-II do CCHN. É o prédio da pós-graduação em Letras da UFES.

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/496221640443993/

***

Entrevista da Confraria dos Bardos – RadioLeitura

Imagem

O RadioLeitura de 5 de maio de 2013 contou com a presença de André Serrano e Yan Siqueira, membros da Confraria dos Bardos, que apresentaram o grupo, suas propostas e discutiram sobre a literatura do estado do Espírito Santo.

A conversa possibilitou a manifestação das nossas ideias não só sobre a literatura e a importância de sua leitura, mas também sobre o mercado literário de nosso estado e suas carências de divulgação e incentivo.

E entrevista pode ser ouvida no link:

http://relerefazer.blogspot.com.br/2013/05/radioleitura-com-confraria-dos-bardos.html

Da Gaveta com “El Buainin”

Desta vez, a seção Tire o texto da Gaveta! traz um conto de El-Buainin. O autor, ao enviar-nos o texto, assim se define, brevemente: “Só alguém que acha as palavras importantes”. 

Confira abaixo o texto “Suely Aparecida”.

***

Suely Aparecida

O ventilador de teto rodava vagaroso. Todos os funcionários do escritório de contabilidade permaneciam em seus gabinetes. Uns trabalhando, outros tirando um cochilo. Apenas Suely Aparecida, suada e com a cabeça erguida, observava o movimento do ventilador. Não que o observasse precisamente, seu olhar parecia mais contemplativo que especulativo. A corda ela já havia arranjado: estava na gaveta. Nunca pensou por que faria isso ali, onde seus colegas de trabalho pudessem ver tudo. Não se tratava de um protesto, pois não demonstrava um traço sequer de revolta: nem nas expressões faciais, nem nas conversas atravessadas.

Pelo contrário, Cida se sentia resignada, tanto faz, tanto fez, não fazia diferença. Casa, televisão, escritório, piadinhas sem graça dos amigos, igreja aos domingos, um pedaço de bolo de fubá e dois dedinhos de café na varanda da irmã e, novamente, casa. O itinerário era o mesmo, sempre o mesmo. Para Cida e para quem a conhecesse, é como se ela fizesse parte desses ambientes todos. Caso não estivesse presente, o lugar pareceria, de alguma maneira, estranho, tal como uma mesinha de canto no canto da sala.

Não era, porém, a hora ainda. Sentia-se gorda: o ventilador de teto não aguentaria seu peso e, é claro, transformar tragédia em comédia não seria seu último desejo. Dieta, então, que, toda vida tortura, agora era exercício fácil. Foram-se aqueles quilos. A irmã reparou, os amigos repararam, o rapaz da igreja, que sentava no outro banco, reparou. Dois dias antes do grande dia, a vizinha disse como estava mais bonita, “distinta” foi a palavra usada. Cida sorriu com alguma curiosidade. O velho da banquinha: “Tá bonita, dona Cida”. Ela ergueu a mão em cumprimento.

Na segunda-feira, o grande dia, Suely Aparecida, contabilista, pediu as contas.