Da Gaveta com “Thalita Covre”

Thalita é professora. Às vezes fotografa para salvar a memória da escuridão. E escreve quando tem tempo, publicando tudo em seu blog: paroi-de-lamentation.blogspot.com

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SCARLET

Ela entra no quarto vazio.  Vazio e cheio de cartazes e fotos de artistas. Vazio e cheio de roupas pelo chão. Vazio e cheio de si.

Senta na cama e pensa que deveria ter trabalhado menos.  Que as dores nas pernas diziam que era hora de parar. Sentia dores tão profundas na vagina que pensava em arrancá-la.  Mas se o fizesse quem pagaria as contas?

Seu corpo doía numa dor de fogo. Queimada. Para sempre cicatrizes. Seu corpo, dor de suor de outros corpos. De tantos vazios. De uma necessidade de vida e de instantânea morte.  Seu corpo, local de mais ninguém.

Vontade que a descubram. Vontade que a levem, leve.  Que a matem, que morra!  Ela só queria parar de trabalhar tanto.  Sentir tanto prazer vazio corrói. A roupa, a calcinha… os pelos que ralos encobrem seu corpo franzino.

Acendi o cigarro. Apagava a luz. Acendia, tinha medo. Seu corpo e escuridão eram tão vastos que poderiam se perder entre si.  Corpo-escuridão. Corpo, única coisa que tinha. E não tinha.  O ânus doía. Chorava… não a dor, mas a vergonha de se sentir ridícula por ter esquecido de comprar a pomada.

Thalita Covre

 

Da Gaveta com “Heitor Negreiros”

Imagem

 

“Escrevo desde 12 anos, mas a poesia chegou na minha criatividade tem pouco tempo. Antes, achava que não poderia com ela, mas agora, vejo que sempre esteve em mim.”

 

Ah, Poesia!

Meu grande lado foi esquecido
Tipo marido traído
E eu fui o ultimo a saber, mesmo como deve ser
E como me fazia falta!
Uns chamam de veia
Outros de inspiração
Eu chamo de amor
Amor com tesão!
Algo que me incendeia, faz parte da minha alma
Me faz colocar pra fora e ter calma
Segundo um dos maiores: quem tem uma não tem a outra
Mas faz com que a minha se expanda
Sem a ferida necessária… pelo menos ameniza
Ah, Poesia! Como você é linda!
Gostosa! Faz palpitar meu coração
E me dá tesão
É grande, pequena, alta, baixa, gorda, magra, faz sorrir, faz chorar, faz doer, e pode acalmar
Ah, Poesia! Deixa de charme, pode entrar!

 

Heitor Negreiros